O que é escala cromática? Quais notas a formam? Como encontro as notas no braço da guitarra ou do violão através da escala cromática? Essas dúvidas são muito comuns, principalmente entre os músicos de nível iniciante e intermediário.

Por isso criamos esse tutorial completo que irá responder todas as suas dúvidas sobre essa escala que é essencial na vida de todo músico.

Introdução

Conhecer a escala cromática é essencial para se entender todo o sistema da música ocidental. Ela é básica e fundamental, porém, suas aplicações podem ser um pouco complexas.

Nesse post você irá aprender:

  • O que significa escala cromática.
  • A origem da escala cromática.
  • O que é tom e semitom.
  • Os acidentes musicais.
  • O que é escala cromática.
  • Como encontrar as notas da escala cromática na guitarra ou no violão.
  • A digitação da escala cromática na guitarra.
  • Exemplos de uso da escala cromática na improvisação.
  • Exemplos de exercícios cromáticos.

O que significa “Escala Cromática?”

A palavra “escala” vem do latim “scala”, que significa escada. Escada, como já sabemos, é uma sequência de degraus que servem para subirmos e descermos de um lugar para outro.

Já, “escala” é uma sequência de notas musicais, que também podemos usar para subir ou descer de um ponto a outro, em uma melodia.

Veja alguns exemplos de escalas:

  • Pentatônica (Formada por 5 notas)
  • Diatônica (Formada por 7 notas)
  • Menor Harmônica (Formada por 7 notas)
  • Menor Melódica (Formada por 7 notas)
  • Diminuta (Formada por 8 notas)
  • Hexafônica (Formada por 6 notas)

 

Já o termo “chroma”, do grego, “cor” vem do fato de que essa é uma escala que tem várias “cores” e muitos tons. Na verdade todos os 12 tons (como tons, leia-se notas) da música ocidental.

A origem da escala cromática

A escala cromática surgiu da necessidade de um instrumento soar afinado em todas as tonalidades, e isso só foi possível ao dividir uma oitava em 12 partes iguais.

O sistema conhecido como “Temperado” (equilibrado), divide por exemplo o espaço entre um Dó e outro Dó (uma oitava acima) em 12 semitons com o mesmo intervalo.

Um marco importante da criação do Sistema Temperado (ou Temperamento Igual), foi a composição da série de peças “O Cravo bem Temperado”, de Johann Sebastian Bach, em 1722, onde o compositor alemão escreveu 24 peças (12 maiores e 12 menores), uma para cada tonalidade.

O que é tom e semitom

Antes de darmos sequência, é importante que você entenda o que é tom e semitom e os tipos de acidentes musicais que explicarei no tópico seguinte.

A palavra “Tom”, no contexto musical, pode ter diferentes significados:

  1. Pode ser um sinônimo de nota ou som musical;
  2. Pode se referir a altura em que uma determinada música foi composta. Por exemplo, quando se diz que uma canção está no “tom” de Dó maior;
  3. Pode ser usado como uma medida de distância entre as notas musicais. No braço de uma guitarra ou violão, por exemplo, a distância entre uma casa e a casa seguinte é de um semitom. Já se pensarmos no espaço entre 2 casas, temos um tom.

 

Os acidentes musicais

Acidentes musicais são símbolos usados para alterar a altura dos sons. Existem 5 tipos:

  1. Sustenido: altera a altura do som em um semitom acima.
  2. Bemol: altera a altura do som em um semitom abaixo.
  3. Dobrado sustenido: altera a altura do som em um tom acima
  4. Dobrado bemol: altera a altura do som em um tom abaixo.
  5. Bequadro: anula o efeito do acidente musical*

*numa situação em que temos por exemplo na armadura de clave um Fa# e quisermos utilizar um Fa natural, usamos o Bequadro.

Então… O que é a escala cromática?

Escala cromática é uma sequência de 12 notas separadas por intervalos de semitom.

Ao tocarmos uma escala cromática, podemos partir de qualquer nota, mas para fins didáticos iniciaremos no Dó:

Dó – Dó# – Ré – Ré# – Mi – Fá – Fá# – Sol – Sol# – Lá# – Si – Dó

Pode ser escrita também com o acidente b (bemol), normalmente quando pensada descendentemente:

Dó – Si – Sib – Lá – Láb – Sol – Solb – Fá – Mi – Mib – Ré – Réb – Dó

Repare que entre as notas Mi/Fá e Si/Dó, o intervalo é de apenas um semitom. Isso não quer dizer que não existam Mi#, Fab,Si# ou Dób, mas que simplesmente são nomes usados em situações específicas.

Como encontrar as notas da escala cromática na guitarra ou no violão

Vejamos a afinação padrão da guitarra:

 

Se pensarmos na escala cromática partindo da nota Mi (6ª corda) teremos:

Mi – Fá – Fá# – Sol – Sol# – Lá – Lá# – Si – Dó – Dó# – Ré – Ré#.

Aplicando essa sequência de notas à corda Mi, obteremos todas as notas da escala cromática em suas respectivas casas:

O mesmo processo pode ser aplicado as outras cordas:

Saber localizar as notas no braço do instrumento é de suma importância para o aprendizado de todas as outras escalas assim como dos acordes.

A digitação da escala cromática na guitarra.

Ao partirmos para aplicações práticas da escala cromática, nos deparamos com a necessidade de encontrar maneiras eficientes e práticas de tocá-la. Existem várias, mas deixamos como sugestão essa a seguir:

Exemplo:

Repare que no exemplo partimos da nota dó, mas podemos partir de qualquer outra nota. Da mesma maneira, não precisamos começar sempre pela sexta corda.

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Uso da escala cromática na improvisação

Como a escala cromática não tem uma tonalidade definida, sua utilização na improvisação tem diferentes abordagens em relação a outras escalas como pentatônica e a diatônica, o que a torna bem interessante pois não nos limita a usar somente um mesmo grupo fixo de notas, possibilitando criar efeitos bem interessantes em nossos solos.

Cromatismo

Um tipo de uso comum é usar suas notas como “notas de passagem” preenchendo os espaços deixados entre as notas de uma escala.

Veja esse exemplo aplicado a escala pentatônica:

 

 

Outra possibilidade de utilização da escala cromática muito comum é nas chamada target note (notas alvo). Também conhecida como Aproximação Cromática.

Ao improvisarmos, por exemplo, sobre um acorde de Am (Lá menor), as notas de sua tríade sempre soarão muito bem. Uma maneira que temos de “alcançar” essas notas é com a utilização dos “cromatismos”.  Veja o exemplo a seguir:

 

 

Nesse exemplo o que importa é a nota final, a nota alvo, e não o ponto de partida.

 

Veja no vídeo acima, Guthrie Govan usando o cromatismo com maestria em seus solos.

 

Exercícios cromáticos

Por fim, mas não menos importantes, estão os famosos exercícios cromáticos, que são excelentes opções para deixar sua digitação e palhetada mais precisas e “limpas”, assim como bons exercícios para o fortalecimento da musculatura da mão e também um bom aquecimento antes de tocar.

Nesses exemplos, os números correspondem aos dedos. Temos 24 combinações possíveis. A sugestão é tocar utilizando a técnica de palhetada alternada em todas as cordas e casas possíveis, de acordo com o exemplo:

 

1 2 3 4         2 1 3 4         3 1 2 4         4 1 2 3

1 2 4 3         2 1 4 3         3 1 4 2         4 1 3 2

1 3 4 2         2 3 4 1         3 2 4 1         4 2 3 1

1 3 2 4         2 3 1 4         3 2 1 4         4 2 1 3

1 4 3 2         2 4 1 3         3 4 1 2         4 3 1 2

1 4 2 3         2 4 3 1         3 4 2 1         4 3 2 1

 

Conclusão

Do entendimento à aplicação, o estudo da escala cromática é riquíssimo e nos sempre traz novas possibilidades. Básica e complexa ao mesmo tempo, é indispensável para músicos de todos os níveis!

Um abraço e até a próxima!